Começa a greve de fame rotativa nos cárceres

Umha nova convocatória, “greve de fame contra todo o que mata xs presxs“, começou o passado dia 1 de setembro nos cárceres do estado espanhol. O formato será um jejum de dez dias rotativo entre diferentes presas e reivindica os 14 pontos da táboa que se vêm defendendo nos últimos anos, centrando-se especialmente no tema da saúde das presas. A pessoa que começa com a protesta será Toni Chavero na cadeia de Estremera, em  Madrid.

O companheiro achega umha carta reflexionando na falta de comunicaçom entre os participantes da protesta

Carta de Toni Chavero

Saúde a todxs, dentro e fora das jaulas. Sou Toni, escrevo desde o búnker de Etremera. Está claro que o debate nom flui. Polos motivos que seja nom somos capazes de nos articular com um pouco de agilidade. Estamos a meiados de agosto e ainda nom sei se estam de acordo com as propostas para as greves de fame rotativas, as propostas reivindicativas que Ángel e eu pugemos a debate, que som as únicas que conhecim. Portanto, no dia 1 de setembro de 2020, eu iniciarei dita greve de fame, dando por feito que estam todxs de acordo com as mesmas, apesar de que nom som mais que propostas que ficaram no ar, como em outras ocasions.

Como podem compreender, companheirxs, dentro e fora, estas nom som formas de funcionar unidxs, isto é, eu nom tenho que dar por feito com que estam de acordo com algo que se propujo e sobre o qual se tivo tempo de abondo para pronunciar-se. Eu estou canso já de repetir o mesmo: a importância do diálogo dentro dumha comunidade de luita. Nom se dá, ao que parece, porque nom queremos que se dê, nom nos interessa, ou algo está a acontecer que se me escapa totalmente.

E seguro que algumha pessoa sim se pronunciou, embora ainda nom cheguam notícias, que esse é outro problema que vejo, parece ser que a responsabilidade de nos comunicar dentro o que vai passando recai sempre nas mesmas pessoas, e isso nom acho que deva ser assim, eu acho que é cousa de todxs, se todxs somos um, claro está. Parece como se soubéssemos que é o que falha e nom fizéssemos nada para soluciona-lo. Em fim, eu inicio na terça-feira 1 de setembro de 2020, os meus dez dias de greve de fame rotativa, se o meu corpo o permite, e, se nom, até onde chegue, claro está.

E pouco mais que vos dizer, companheirxs, que me dececiona bastante este silêncio, que vos animo ao romper e que sem debate e comunicaçom estamos acabadxs. Eu fiz o meu labor durante estes anos, pior ou melhor, mas a comunicaçom sim a mantive, ao menos nas questons essenciais, ou seja, nos atos nos que nos movemos, em contestar às propostas, em gerar debate, fazer novas propostas ou secunda-las, dizer o que gosto e o que nom gosto, à minha maneira, quiçá muitas vezes trabucando-me mais que acertando. O que nom fiz nunca é ficar-me calado ante as questons que se propugerom dentro e fora. Porque, embora esteja bem longe de ser um “erudito” das luitas anticarcerárias, ou de qualquer índole, tenho claro que sem comunicar-nos nom poderemos conseguir nada.

O pior de todo isto é a sensaçom que me dá o grupo dentro, que nom parece dar-lhe importância a esta luita, a esta greve de fame rotativa. Nom nos importa que deixem morrer axs velhxs e enfermxs crónicxs nos cárceres? Nom nos importa o regime especial de castigo, nem o FIES, nem o controlo direto, nem o isolamento, nem a dispersom? Dá-nos igual que se esclareçam as mortes dxs nossxs companheirxs assassinadxs ou deijadxs morrer nos cárceres do Estado espanhol? Dá-nos igual que xs doentes mentais estejam, nom só nos cárceres, senom nos isolamentos, morrendo? Dá-nos igual todo isto?

Eu acho que nom, que nom nos dá igual. Mas, entom onde está o problema para que flua o diálogo no espaço de luita? Está claro que umha grande parte está nas dificuldades para a comunicaçom que o mesmo cárcere nos impom. As demais partes estam em cada um de nós, que nom somos capazes de que o debate discurra com um pouco de agilidade e terá que fazer autocrítica e olhar por que.

Para mim seria mais fácil também calar-me todo isto, tumbar-me a olhar a tv ou o que hostias seja e passar de todo e de todxs. Mas eu tenho uns objetivos e umhas responsabilidades com xs presxs e companheirxs de luita, dentro e fora das jaulas e, embora me custa moito leva-las à prática nestas condiçons, aqui me tenhem, disposto sequer a realizar um mínimo de esforço para continuar adiante com o que fazemos, sem deixar que nos pisoteen todos os “direitos e liberdades” que supostamente temos.

Animo-vos desde esta asquerosa jaula a nom cair no silêncio, porque isso é precisamente o que os hierofantes da sagrada ordem do cepo querem, que nos apaquemos, que nos dissolvamos. Pola minha parte, nom o vam conseguir, mas eu só som um mais. Aos que vam estar aí, na brecha, com as greves de fame rotativas de setembro de 2020, ânimo e força, dentro e fora. Saúde e raiva anticarcerária. Por umha sociedade sem jaulas. Anarquia.

A táboa de 14 pontos

  1. Acabar com as prisons dentro das prisons, os ficheiros de internos de especial seguimento (FIES).
  2. O fim dos maus tratos, sejam de obra ou palavra.
  3. A posta em liberdade dos/as presos/as que padeçam doenças incuráveis.
  4. Que a assistência médica nom pertença a instituiçons penitenciárias.
  5. Que se investiguem as mortes que acontécerom desde há décadas e se depurem responsabilidades nom sendo falecimentos por causas naturais.
  6. O fim da dispersom dos/as presos/as.
  7. A respeito dos/as enfermos/as mentais exigimos que se lhes trate adequadamente em locais apropriados, e nom nas prisons.
  8. Que as estruturas carcerárias abram as suas sala de aulas, oficinas, academias, acessos formativos e culturais, etc… aos/às presos/as que tratam como «irrecuperáveis».
  9. Que os programas com metadona, tratamentos psiquiátricos, etc, vaiam acompanhados de grupos de apoio, terapeutas, etc… independentes das autoridades penitenciárias.
  10. Que os módulos de respeito nom sejam utilizados como montras que só servem para fomentar a traiçom e a delaçom.
  11. Que se deixe de cachear integralmente às famílias e amizades visitantes.
  12. Exigimos aos tribunais, forças de segurança do estado e repressores vários, que nom criminalizem a solidariedade entre pessoas.
  13. Fim do cumprimento de «cadeias perpétuas encobertas».
  14. Reconhecimento novamente do artigo 100 do derrogado código penal de 1973, sobre o benefício de redençom ordinária e extraordinária polo trabalho em prisom.

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